sábado, 4 de fevereiro de 2012

Buenos Aires - Córdoba - 13º dia - 15/01

---------------------------------13º dia - 15/02--------------------------------- ///Terminei meu relato da última noite em Buenos Aires com o fim do belíssimo espetáculo de Tango por motivos óbvios: não poderia haver uma despedida tão bonita e tradicional dessa cidade mágica. Porém nossa estadia na capital argentina ainda duraria algumas longas horas. ///Como disse anteriormente, nosso ônibus para Córdoba estava marcada para a madrugada no dia 15 e como o Tango terminou cedo ainda tínhamos que esperar antes de partir para o terminal. Escolhemos esse horário propositalmente, já que a viagem estava prevista para durar 10 horas, preferimos escolher um horário que pudéssemos ir dormindo. ///Já com tudo pronto e próximo do horário da partida chegamos mais uma vez àquele difícil e potencialmente perigoso momento em que eu deveria acordar a Anne. Desta vez, porém, como não tínhamos mais quarto no albergue, ela havia dormido no meu colo bem no meio da sala de convivência. Todo aquele processo lento de despertar, após uns cinco ou dez minutos de uma batalha que parecia perdida, virou uma atração popular para os hospedes que permaneciam acordados. ///Quando finalmente consegui convencê-la de que não era plausível esquecermos o resto da viagem para poder dormir mais, partimos para rodoviária. O lugar estava cheio e mesmo se aproximando da hora de nossa partida não havia nenhuma informação sobre nosso ônibus. Usamos a técnica já testada e aprovada por nós mesmo em buscar informações: um fica com as malas e os outros dos saem perguntando a qualquer um que pareça saber alguma coisa. Não tivemos muita sorte até o momento que o Kiko finalmente encontrou um guarda que disse algo como: “Não olhe no quadro de informações, ali não mostra nada”... Não sei como não pensamos nisso antes. ///O importante é que conseguimos pegar o ônibus com algum tempo de folga. A escolha do horário se mostrou acertada. Das 10 horas de viagem a impressão que nos deu é que dormimos 15. As poltronas confortáveis também nos ajudaram muito. Até mesmo o Kiko e sua implacável insônia conseguiu descansar razoavelmente. No caminho tive a impressão de ouvir o motorista anunciando que paramos na cidade de Rosário. Durante o planejamento chegamos a pensar em ficar em Rosário que, entre outras coisas, tinha o atrativo a mais de ser a cidade onde nasceu Che Guevara. Por fim, decidimos que estrategicamente Córdoba era melhor para nosso roteiro. ///Pouco antes de chegarmos, já acordados, vimos no horizonte despontar uma montanha e nos perguntamos se já eram os Andes dando seus primeiros sinais de vida. Depois de um tempo descobrimos se tratar da famosa Serra de Córdoba, porém não estávamos completamente errados, pois a serra também está ligada aos Andes. ///Então finalmente chegamos é quente Córdoba. Cidade muito conhecida pelos brasileiros por ser um dos principais polos para quem quer estudar no exterior. De fato está é uma cidade universitária e por isso mesmo estava completamente vazia neste domingo. Até no comércio parece que nada funciona. Aqui também se vê as marcas de um lugar voltado aos estudantes como inúmeras frases de protesto nas paredes e, segundo alguns que nós conversamos, as opções de saída à noite também são interessantes nos dias de semana. Guardada as inúmeras diferenças essas características me lembram um pouco Niterói. ///Se vocês estão perdidos geograficamente, aí vai uma ajuda:
///Vocês perceberam que o relato sobre Córdoba carecerá de descrição da cidade, de passeio e fotos. Isso não é fruto de uma preguiça momentânea que me abateu de repente. Ao chegarmos à cidade levantamos a hipóteses de fazer alguns passeios pelo centro histórico e até mesmo uma caminhada ecológica pela Serra de Córdoba, o que me encheu os olhos. Porém, para minha decepção eu fui voto vencido nesse caso. Anne e Kiko ponderaram que depois de 10 horas de viagem, teríamos, daqui a dois dias, mais umas 10 horas ou mais de viagem e por isso seria melhor descansarmos. ///Eles tinham razão, felizmente estávamos agora em um dos melhores albergues de toda a viagem. Lá tínhamos TV a cabo em uma confortável sala de convivência com direito e com um aparelho que não víamos há muito tempo (Em Colônia chegamos a duvidar que ele um dia já existiu): Ar Condicionado! Ele não ficava ligado o tempo todo, mas já era suficiente. A cozinha também era boa e na área externa tínhamos totó, além de uma simpática cadelinha chamada Jujuy que aturou de bom grado os constantes agarramentos da Felícia Anne.
///Saímos para comer fora, o que foi uma tarefa difícil, pois nenhum lugar estava aberto. O único que encontramos era um boteco, mas comemos bem na medida do possível (não era feijão e arroz). ///Depois disso compramos algumas coisas no único mercado aberto que encontramos e voltamos para nosso querido albergue. Antes de preparar o jantar desafiei o Kiko para um jogo de verdade. Até então ele estava cheio de si por que me ganhou em alguns jogos de tabuleiro em Montevideo e fica tirando onde com o caderninho de Su Do Ku. Mas agora não... Agora ele estava em meu terreno: Totó. Sem surpresas venci de 3 partidas a 1 sagrando-me campeão do Torneio Internacional das Serras de Córdoba.
///Terminamos a noite com um delicioso banquete de frango com legumes e arroz. A Anne não quis comer o frango SÓ porque encontramos algumas penas nas asinhas, mas o Kiko logo disse: “São só algumas peninhas, não vai fazer mal”. Mal não fez mesmo, mas eu também comi só por que aprendi com Bear em À Prova de Tudo a importância de ingerir proteína em situações de sobrevivência, por mais nojento que pareça.

2 comentários:

  1. Renan, li todos os relatos de viagem e achei divertidíssimo!! Vou anotar as dicas sobre Buenos Aires.

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  2. Acompanhar os seus relatos nessa fase da viagem é uma experiência diferente. Até agora tinha referências concretas e as imagens evocadas surgiam naturalmente. Agora é um exercício maior de imaginação. É bem legal. A primeira visão dos Andes tem, para mim, o efeito de ver neve pela primeira vez. Passar pela cidade natal de Che, gera uma espécie de cumplicidade. E que sonoridade tem o nome dessas cidades: Córdoba, Colônia, Rosário! Você usou Niterói como referência e me dei conta de que nossa cidade também tem um belo nome. Estamos cercados por belos nomes. Itaipú, Itaipuaçu ou Itaquatiara, por exemplo, são nomes igualmente bonitos e com profundo significado histórico.

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