quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Niterói - Rio - Montevideo - Atlándida: 03/01/2012

[nesse post o blog me proibiu de por parágrafo... Então paciência gente.] Hola /Escrevo hoje meu primeiro post em terras estrangeiras!!! Bom,... Na verdade, nesse momento estou a muitos metros de altitude sobrevoando o que deve ser o Paraná, mas como concluirei o relato do nosso primeiro dia de viagem e postarei no blog somente quando já estiver no Uruguai posso me adiantar a dizer isso. /Nossa partida do Rio foi bem tranquila. No dia anterior (02/01) Anne e Kiko vieram para minha casa comemos pizza e fomos dormir. Na manhã seguinte nenhuma surpresa também: Anne reclamou que queria dormir, Kiko ignorou minhas primeiras tentativas de acordá-lo, mas dentro do tempo previsto todos já estavam no taxi atravessando a Grande Poça rumo ao Aeroporto Internacional do /Galeão, onde nosso voo estava marcado para as 9h.

Tudo estava ocorrendo com a calmaria prevista. Anne reclamou por algumas horas dos minutos perdidos de sono e Kiko da proibição absurda de se fumar dentro do saguão (o que ele resolveu utilizando a técnica do ensino médio: fumar no banheiro). Os pais do Kiko foram se despedir de nós e pagaram um lanche. Valeu tio José e tia Licia. =)
/Mas eu não iria aguentar essa calmaria... Ah não! Meu espírito aventureiro falou mais forte e eu senti que precisava de um pouco de emoção logo no início da viagem. Deliberadamente eu escondi o saco da barraca na hora de despachar as malas e o levei desafiadoramente para o portão de embarque. Como havia previsto, os seguranças não deixaram eu entrar com a mortífero sacola, não pelo objeto em si, mas por mim. Eles sabiam que com algumas barras de ferro e uma lona, eu poderia sequestrar dois aviões, jogá-los em Brasília e saltar em um paraquedas improvisado. O resultado foi óbvio. La fui eu desembestado correndo pelo saguão do aeroporto, faltando 40 minutos para o embarque. No caminho ainda arrastei aquelas fitas de filas que no cinema a gente ultrapassa com facilidade e derrubei duas daquelas coisinhas de ferro. Rápido como um guepardo eu consegui finalmente despachar a barraca (que nem minha era) e voltar a tempo de embarcar como último passageiro. /

Uma coisa engraçada quando fazemos nossa primeira viagem internacional (pelo menos para mim foi assim) é a sensação de estarmos ultrapassando uma barreira invisível que nos leva a um lugar completamente desconhecido. Como aprendiz de historiador, sei muito bem que a fronteira e a nacionalidade são construções feitas ao longo da história. Ainda assim, mesmo eu nunca tendo ido à Manaus, por exeplo, para mim é muito mais estranho ultrapassar uma fronteira nacional. Eu olhava pela janela do avião como se esperasse ver uma grossa linha amarela, como aquela que tem no Google Earth. Ver uma vasta extensão de terra e imaginar: “ali eles falam espanhol” foi algo incrível no meu imaginário.

 /Nossa primeira impressão do Uruguai, ainda em voo, foi bem descrita pela Anne: “Por isso a carne aqui é tão gostosa. Só tem pasto!”. Não foi puro desconhecimento ou ignorância imperialista. Essa era realmente a impressão que nos dava a onze mil metros de altitude. Uma imensa terra quase totalmente plana, verde, com pouquíssimas árvores e cidades. Quando o piloto anunciou que em poucos minutos iriamos descer no aeroporto de Montevideo eu fiquei com medo de que fossemos aterrissar no meio do mato, pois não vimos nenhuma cidade grande se aproximando. Pelo que eu entendi isso se dá por dois fatores principais: 1- Uruguai é de fato um país pouco habitado e 2- O aeroporto de Montevideo fica afastado do centrão da cidade.

 /Então finalmente desembarcamos na Província Rebelde, no país carrasco da copa de 1950 o pequeno e lindíssimo Uruguai.
/Desembarcamos as 15h. Olhamos o free shop (Anne brilhando os olhos para os produtos da Vitoria Secrets e o Kiko para os pacotes de maço de cigarro), comemos uma comida típica da região (Mc Donald’s) e partimos parta ATLÂNTIDA...

/Bom... Não era bem essa Atlântida. Mas o nome da cidade (fundada em 1911 pela elite de Montevideo que usava o balneário para passar férias), é realmente em homenagem ao mito de Platão. Muitos que fizeram essa viagem me falaram de um lugar onde não se vê pobreza e por isso mesmo agradeci muito a ideia da Anne de não ficarmos só em Montevideo. No caminho passamos sim por muita pobreza que a maioria dos turistas não vêem e a mídia não mostra. Assim como muitas pixações políticas também

 /A cidade é linda, turística, porém cara. O atendente do setor de informação ao turista disse que quanto mais perto de Punta del Leste mais caras são as cidade. Encontramos um albergue lindíssimo, confortável, limpo e relativamente barato: (50 dólares para cada). Depois de 9h se deslocando, foi maravilhoso se jogar numa cama macia.

/A cerveja aqui é preço de zona sul do Rio. O litrão de Pilsen (a cerveja nacional mais barata) custava o equivalente a 12 reais. (de noite eu e Kiko catamos uma padaria/pizzaria onde o cerveja era o equivalente a 6 reais.) Depois de organizarmos tudo (check in, câmbio, etc) saímos e pegamos o fim DO DIA na praia que aqui é as 21 HORAS DA NOITE! Isso é bem assustador. O por-do-sol também é de tirar o fôlego. Há muitos anos eu não via o sol se por no horizonte e na água. Onde moramos ele cai sempre atrás de morros ou prédios. Dá quase para ouvir o tsssssss quando aquela bola de fogo tocou o mar. Comemos num quiosque caro onde eles cobravam tudo que podiam cobrar. Se ficássemos mais um pouco teríamos que pagar o oxigênio.
/De noite tínhamos combinado de conhecer a vida noturna da pequena cidade que como tinham me indicado no aeroporto: era agitada e cheia de jovens. Porém tivemos uma baixa. A pilha da nossa companheira de aventuras Anne acabou mais cedo. Todos nós estávamos cansados, mas eu e Kiko queríamos ainda sim dar uma volta rápida na cidade. Com as mãos nas costas Anne reclamou: “Estou muuuito velha para isso, muito velha”, ou quase isso. Então deixamos ela dormindo e saímos.

 /De fato a vida noturna aqui é mais agitada do que de uma cidade desse tamanho normalmente é. É o equivalente a nossa região dos lagos, inclusive nos preços. Bares caríssimos e por isso eu e Kiko passamos um bom tempo só rodando antes de nos estabelecermos. Passamos por um grupo pequeno de torcedores do Peñarol comemorando algo que eu ainda não descobri o que era (Pedi para o Kiko ir lá e gritar “NACIONAL!”, mas ele percebeu que era uma armadilha... Droga.) Acabamos bebendo na padaria/pizzaria barata que já havia mencionado. Depois resolvemos jogar! Em frente ao fliperama, nosso objetivo, tinha um pequeno cassino, onde resolvemos entrar para maximizar nossos lucros e gastar em fichas do fliper. (nossos vícios são estranhos). Apostamos 20 Pesos e saímos com 30 (o equivalente a 3 reais)! Com a jogatina garantida nos fomos para o fliperama com duas fichas, sendo que a máquina engoliu uma minha e não me deixou jogar.

 /A temperatura aqui é maravilhosa. De dia faz um calor agradável bom para ir a la playa e de noite esfria o suficiente para por um casaquinho /Uma hora da manhã finalmente voltamos para casa e com algum esforço acordamos a Anne para abrir a porta para a gente. \El idioma/ Meu contato com o espanhol merece um parágrafo a parte. Em ordem decrescente quem melhor fala,... quer dizer, melhor enrola no espanhol é: Anne > Renan > Kiko. Eu fiz um curso de dois anos de espanhol e mesmo assim Anne, que nunca entrou num curso, fala melhor que eu. (desculpe papai) O Kiko entrou em contato com a língua nos últimos dois meses lendo mangás em espanhol e ouvindo banda anarquista espanhola. Quando tive que falar com algum nativo, até que me sai bem. O problema foi quando encontrei alguém que tentou falar em português. Houve um duelo de portunhol onde todos saíram derrotados. /Mas o ápice de nossa confusão linguística foi quando o Kiko liga a TV e por alguns minutos mexe intrigado no controle remoto: “O que eu fiz nessa merda que está tudo em espanhol?”

 /Assim fechamos o primeiro dia de nossas aventuras. Vi que escrever demanda um tempo que temos pouco, ainda assim tentarei manter meus queridos seguidores (olá papai e mamãe!). /Até a próxima!

11 comentários:

  1. Valeu, Renan.
    Estou feliz e bem informado do início da aventura. Bela descrição. Que fôlego! A propósito, essa é uma aventura literária ou uma expedição revolucionária, parte de um processo de reparação histórica que resultará (inevitavelmente), em menos de um mês, na implantação de uma República Socialista, Pluralista e Democrática no cone sul do América?
    Anne e Kiko, se isso não for possível, espero que, pelo menos, vocês consigam ensinar o Renan a segurar uma garrafa de Coca-Cola de 2 litros e servir sem derramar o conteúdo num raio de um metro. Compreenderei perfeitamente se vocês priorizarem o objetivo anterior. Ele é mais fácil de ser alcançado.
    Belas fotos. Bem contextualizadas. Quero vê-los, mas no contexto.
    Mas, por favor, atualizem a data da câmera, ou, o que é melhor, eliminem esse registro de data que compromete a estética.
    O Eduardo Galeano, voltando ao Uruguai depois de anos no exílio, descreveu assim esse momento:
    “Os generais uruguaios ainda tinham o poder, estavam quase indo embora, quase nos adeuses dos tempos do terror: entrei cruzando os dedos. Tive sorte.
    E caminhando pelas ruas da cidade onde nasci, fui reconhecendo-a, e senti que voltava sem ter ido embora: Montevidéu, que dorme sua eterna sesta sobre as suaves colinas do litoral, indiferente ao vento que a golpeia e a chama: Montevidéu, chata e íntima, profundamente íntima, que no verão cheira a pão e no inverno cheira à fumaça. E soube que eu andava querendo bem-querer, e que tinha chegado a hora do fim do exílio. Depois de muito mar, o salmão nada em busca do rio, e o encontra e remonta, guiado pelo cheiro das águas, até o arroio de sua origem.”
    Montevidéu está aberta para ser interpretada.
    Beijo em todos. Em você também, Kiko.

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  2. Oi Renan!!!
    Estamos adorando ler sobre sua aventura. Ler e ver fotos. Anne curtiu a praia? Finalmente conhecemos o KIKO. Não deixe de escrever. Parece novela e precisamos saber o que acontecerá no próximo capítulo.Beijos para todos. Rosane e Mariane.

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  3. Valeu gente.

    Foi mal pelos parágrafos.
    Belo texto pai. Estou usando a câmera da Anne e só percebi as datas agora. VOu tentar tirar, ou no mínimo atualizar.

    Um bj a todos.

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  4. Adorei que você tá fazendo diário da viagem, muito legal! Lerei sempre :)
    O Uruguai é mesmo caro, acho que, junto com o Brasil, são os lugares mais caros da América do Sul. A boa notícia é que os outros países serão bem mais baratos :)
    Aproveita muitão! E continue contando!
    Beijos

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  5. Li e gostei... Tudo ai eh caro msm... infelizmente o conselho de lugar barato para comer é o Mcdonald... se vc andar pelas ruas de montevideo encontrara cds do Tiririca e do Netinho, muito importantes para nossa cultura... hahahahaha... perceba tb a influencia do imperialismo brasileiro ai.. cara, ve se tem como vc ir em Colonia de Sacramento... historicamente vale apena, por mais q ache Paraty mais bonito... outra coisa, quando for para Montevideo, olha esse hotel: http://www.hotelpalacio.com.uy/por/hotel-palacio-diarias.php
    lá é 51 dolares os tres... ele fica no centro de montevideo... eu fiquei lá e é um bom hotel...
    Continue mandando q sempre q puder eu lerei.
    Abração
    José Victor

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  6. Bárbara.
    valeu mesmo.Acho que o Chile é mais caro que o Uruguai. Não passaremos lá por causa disso inclusive. Mas de fato eu to achando o Uruguai mais caro que eu imaginava.

    zé.
    Legal! Goste das dicas. Vamos sim a Montevideo, quer dizer... já estamos aqui. No próximo relato falarei disso. Interessante que já tinha escrito sobre o imperialismo brasileiro nesse relato que ainda não postei. Leia, tu vais gostar.
    Passaremos por Colonia de Sacramento no caminho para Buenos Aeres. É imperdível.

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  7. Gostei da narração e gostei das histórias, se com o tempo a quantidade de histórias postadas diminuir vou xingar muito no twitter. Não parem. Beijos e Abraços.

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  8. Renan, caso haja problemas durante a conquista de Montevidéu por essa intrépida tropa, proponho um plano “B”. A tática alternativa está fundamentada no princípio revolucionário da “cavadinha”. O importante, nos momentos de crise, é não ficar “parado na esquina”. Todos que incorreram nesse erro assistiram as tropas adversárias avançarem de forma irreversível.
    Lembro que a nova tática é coerente com a estratégia revolucionária de implantação do socialismo, mas inova ao fingir que atuará na base (infra-estrutura) e surpreende ao priorizar super-estrutura, elevando o movimento a patamares inimagináveis pela ortodoxia. O guardião das instituições burguesas, vulgarmente chamado de goleiro, ficará momentaneamente paralisado. Com a meta desguarnecida, a vanguarda revolucionária atingirá seu primeiro objetivo e,concomitantemente, levantará a massa popular que, saindo da inércia, cantará uníssona a internacional alvinegra cuja letra diz: “e ninguém cala esse nosso amor, e é por isso que eu canto assim, é por ti fogão”. A música e as cores da bandeira revolucionária(preto e branco) foram escolhidas em assembléia popular seguindo o princípio consenso. O centralismo democrático já causou problemas demais ao movimento.
    Sim, sei que parece loucura, mas convêm um pouco de ousadia nessas horas. Aos que consideram loucura, respondo com uma provocação: de hoje em diante, os revolucionários serão denominados loucos. E aquele que ocupar o papel proeminente na ação, receberá o nome de “El loco, o mestre da cavadinha”. A ênfase na liderança é uma concessão ao stalinismo para ampliar o leque de alianças.
    Estava indo tão bem! São as contradições do processo.
    Enquanto isso, me preparo na retaguarda (em Camboinhas) para eventuais emergências. Fortaleço-me - sem perder a ternura -, mesmo quando radicalizo tomei duas latinhas de cerveja seguidas (você sabe o quanto isso é radical para mim) e, - supremo sacrifício – mergulhei nas águas geladas e revoltas (marolas de 1/2 metro) do Atlântico Sul. Completando o treinamento, me deslocarei, no dia 14, para Porto de Galinhas. Não chega a ser uma manifestação do internacionalismo proletário, mas é o justo descanso de um guerreiro do magistério. Nada como delirar em águas mornas e despoluídas.
    Tuas primas (Mariana e Carol) estão acompanhando as aventuras. O Arthur também já abriu a página (ele está fazendo um curso em SP)e manda lembranças. Seu irmão receberá a carteirinha da OAB na 5ª feira. Nesse fim de tarde voltou a chover muito por aqui.

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  9. Este comentário foi removido pelo autor.

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  10. Oi, Nan estou morrendo de saudades. Li o seu Blog. Ele ficou mt bom. Mt bom mesmo. Quase rolei no chão de tanto rir. Aguardo novos capítulos da aventura.
    bj

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  11. Aqui eu resumo meu comentário ao triste fato do Renan e do Kiko não conhecerem Creedence.

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